Deus não era o problema de Jó, e também não é o autor dos problemas e provações na sua vida, pelo contrário, Ele deu a solução para todos os problemas do mundo através da cruz. Jó era um homem receoso, e por isso, ele viveu aquilo receava, ele mesmo confessa: O que eu temia veio sobre mim; o que eu receava me aconteceu” [Jó 3:25]. Ele temia perder as riquezas, os filhos e a saúde, e isto lhe sobreveio [Confira o post anterior]. Todavia, diante destes fatos sempre somos questionados sobre a  justiça de Jó. Como aquele homem foi chamado de justo, pelo próprio Deus, e mesmo assim deu acesso ao diabo através do medo?

A Justiça de Deus na Antiga Aliança

Para entendermos a vida de Jó, e termos um correta interpretação do seu livro, precisamos compreender em qual  contexto ele estava inserido. Muitos historiadores concordam que Jó teria sido alguém quase contemporâneo a Abraão, e os fatos acontecidos no livro ocorreram em um período de 9 meses. O que temos como certo é: Jó viveu na Antiga Aliança, e, estava submetido ao contexto da Antiga Aliança. E assim como todos homens antes da cruz, ele estava separado de Deus pela natureza do pecado, ele não era diferente de nenhum outro homem do seu tempo. Ele estava incluído no  grupo chamado “todos” que foram “separados da glória de Deus” [Romanos 3:23]. Ele estava debaixo do domínio da morte espiritual, pois, não era um homem nascido de novo [Romanos 5:12-14]. Neste ponto precisamos esclarecer – O que é a justiça de Deus? O que é ser chamado justo?

A justiça de Deus não é , e jamais foi, proveniente do esforço humano. Muitas pessoas pensam que a justiça é um alvo para se atingir, mediante uma vida reta, mas a verdade é que a justiça sempre foi um dom de Deus, algo oferecido pela sua graça e recebido pela fé [Romanos 5:17]. De fato todos precisam viver uma vida de justiça e santidade, e isso  realmente significa viver em retidão, mas  a Bíblia ensina que a Justiça de Deus é um dom, algo que recebemos instantaneamente, uma condição legal diante de Deus independentemente de obras humanas ou méritos pessoais.

Antes da Lei, Abraão recebeu a justiça de Deus, e foi justificado, sendo considerado justo, não pelas obras e sacrifícios que ofereceu, mas pela fé na promessa [Romanos 4:16-17], perceba que Abraão em muitos momentos falhou e pecou [Gênesis 20:12], mas foi chamado como justo e amigo de Deus. Após a concessão da Lei, os homens passaram a ser considerados justos, não somente pela fé, mas também através da obediência a Lei, uma condição impossível de ser alcançada por um homem caído e separado de Deus. Todavia, mesmo nestas condições, o livro de Tiago cita Elias como um exemplo de um homem justo,  sujeito aos mesmos sentimentos que os outros homens [Tiago 5:17-18], veja em muitos momentos aquele homem falhou e pecou [1 Rs 19.20] e mesmo assim é citado como justo, pois a justiça de Deus sempre foi uma dádiva.

A Justiça de Deus na vida Jó

Muitas pessoas se identificam com Jó, elas se identificam na perda, na dor, na morte, nos momentos mais escuros da vida, mas precisamos também  identificar Jó em sua justiça. Ele é mencionado no capítulo 1 como: “homem justo e integro”, a Bíblia compara a conduta e a fé deste homem a de outros grandes homens como Noé e Daniel [Ezequiel 14:14]. Jó é chamado de integro mas isso não o tornava diferente dos outros, ele cometia pecados como todos os outros. Ele era um pecador dependente de um Salvador e viveu pela fé nesta promessa, e isso o tornou justificado.
Precisamos entender que Deus não chamou Jó de justo com base em suas obras, acertos ou erros. Jó foi chamado de justo por causa da fé na promessa, assim como Abraão foi chamado de justo não pelas obras mas pela fé na promessa [Romanos 4:16-17], note, ambos eram pecadores, ambos estavam sujeitos as mesmas paixões que todos os homens, ambos cometeram erros que resultaram em perdas, todavia, ambos creram na promessa de redenção “e isso lhes foi creditado por justiça”.

Abraão e Jó viveram pela fé na promessa – o Redentor que se levantaria e traria justiça sobre a terra. Do mesmo modo vivemos pela fé, mas pela fé  não apenas na promessa mas naquele que é o cumprimento da redenção: Jesus Cristo. Não foi a atitude correta de Jó que o tornou justo, nenhum homem pode justificar a si mesmo por meio de obras ou esforços [Romanos 4:1-5].

Jó entrou na justiça própria

Quando o Diabo acusou Jó nos tribunais celestiais, ele colocou as intenções e motivações de Jó em questão [Jó 1:9]. Satanás trouxe acusações contra Jó, dizendo que ele somente sacrificava por motivos impuros, Jó não foi acusado por práticas imorais, ou pecados geracionais, ele foi acusado porque suas motivações eram cheias de medo [Confira o post anterior]. Implícito neste medo estava um forte pensamento de justiça própria e auto suficiência, apesar de Deus chamado Jó como “homem justo”, não era desta forma que ele via a si mesmo. Jó além de acusar a Deus, perder as esperanças e viver em medo, ele também havia esquecido quem ele era. Ele ignorava a justiça de Deus, ele confiava mais em sua capacidade de sacrificar do que na justificação que o Senhor prometeu. Seus sacrifícios carregavam medo e justiça própria.
Em muitos trechos Jó tenta justificar a si mesmo. No capítulo 29, ele faz uma lista de suas obras e boas ações como uma prova de que ele deveria ser justificado. Jó tentou justificar a si mesmo enquanto acusava a Deus por aquilo que estava acontecendo em sua vida [Jó 40:8]. Talvez você esteja replicando este mesmo discurso dizendo: “Senhor, eu orei e fiz sua obra, e agora estou sendo afligido…” ,ou ainda, “Deus está me provando mesmo eu sendo fiel”. Não se deixe enganar Jó estava afligido por ter aberto a porta do medo [Jó 3:25], do mesmo modo você pode estar sendo afligido porque abriu portas para Satanás. Aquele homem ignorou a justiça de Deus, para justificar a si mesmo. A Justiça própria é como “trapo sujo” [Isaías 64:6], quem veste um trapo de justiça própria acha que está coberto, mas na verdade está nu. Tentar enganar a si mesmo com argumentos religiosos não o tornará justo.

Justiça de Deus em Cristo

Se você nasceu de novo, então, você foi feito justiça de Deus em Cristo. Não é mais um pecador, mas justiça de Deus  em Cristo pela fé. O próprio Deus compartilhou sua natureza de justiça conosco – a vida eterna – quando nascemos de novo. Jesus se tornou nossa justiça quando o recebemos como nosso Salvador e o confessamos como nosso Senhor [2 Coríntios 5:17-21].
Na Antiga Aliança o pecado era coberto por meio do sangue de animais inocentes. Deus não imputava iniquidade ao seu povo no Antigo Testamento mesmo se eles estivessem errados, pois havia fé na promessa do sangue derramado [Salmos 32:1]. Aos olhos de Deus eles eram justos,  pois seus pecados tinham sido expiados ou cobertos.
Na Nova Aliança o sacrifício perfeito foi feito por Cristo, o sangue do cordeiro nos limpou de uma vez por todas de todo pecado e injustiça, sua natureza não é mais corrupta e corrompida, você nasceu de Deus. O velho homem era injusto e pecador, era tendencioso ao pecado [Confira mais aqui], mas o novo homem é justo e santo.
Mas entenda você não é feito um novo homem através de seus esforços, através de suas tentativas, você foi feito um novo homem pela obra de Jesus na cruz, ser justiça de Deus significa que cremos que a obra de Cristo é suficiente e que devemos recebe-la única e exclusivamente pela fé.
O problema é que muitas pessoas caem no erro de Jó, esquecem quem são, esquecem que são justiça de Deus em Cristo e tentam produzir sua própria justificação, e no final estão cansadas e atribuladas. Jó tentou ser justo pelo esforço próprio, ele todos os dias levantava e sacrificava tentando ser justo por si mesmo, e, mesmo após tantos sacrifícios ele não via a si mesmo como justo. Deus chamou aquele homem como justo, mas ele não via si mesmo como justo [Jó 9:2;15]. Jó trocou a identidade dele por esforços e justiça própria. E um dia ele cansou de tantos esforços e começou a acusar a Deus [Jó 9:16].

Livre da Autocondenação, Culpa e Vergonha

Os constantes esforços de Jó  se tornaram um peso para si mesmo e sua família. Todos eram obrigados a sacrificar [Jó 1:5]. Deus deseja que tenhamos uma vida de justiça e santidade, onde vivemos livres e acima de todo pecado. Mas não é o desejo de Deus que vivamos uma vida culpada, condenando a nós mesmos em todo instante. Não precisamos viver uma procura constante por pecados não confessados, mas simplesmente devemos permitir que a graça nos aperfeiçoe. Efésios 4:22-24 nos ensina que uma vida de justiça e santidade somente é proveniente da verdade. A verdadeira santidade não vem por: mais jejuns, mais orações, mais processos ou qualquer outros esforços, mas através do conhecimento da verdade. Se você conhece a sua identidade em Cristo, então esta verdade te libertará [João 8:32].  A nossa posição de justiça em Cristo nos torna inculpáveis  e livres de qualquer acusação [Colossenses 1:22-23].  Não precisamos nos achegar a Deus com medo ou condenação. Sabemos quem somos em Cristo. Não fizemos a nós mesmos justiça de Deus em Cristo. Foi Jesus que nos fez justiça de Deus, por meio de sua obra de redenção.

Perdoe a si mesmo

A justiça própria vem acompanhada de uma consciência de culpa e condenação [Hebreus 10:22]. Assim como muitas pessoas hoje, Jó estava sempre consciente de seus pecados [Jó 7:20-21].  Todavia, Quando nascemos de novo,  reconhecemos que nossos pecados foram perdoados, pois a nossa vida passada deixou de existir. Deus disse que não mais se lembraria das nossas transgressões [Is 43.25]. Se Deus não se lembra delas, por que então deveríamos lembrar? Talvez você diga que ainda não é um justo porque tem fraquezas em algumas áreas, e pecados que não consegue romper, mas 1
João 1.9 lemos: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça”, quando um justo peca e sente-se culpado, aparece um sentimento de injustiça, indignidade e vergonha. Mas Deus traz uma solução. Primeiro, quando você confessa os seus pecados, você recebe perdão imediatamente. Segundo, a Bíblia diz que Deus também nos purifica de toda injustiça, isso significa  que nos garante uma posição perpetua de justiça.

Declare
Eu lanço fora todo esforço próprio, toda necessidade de justificar a mim mesmo. Eu não preciso me esforçar para ser feito justo. Eu recebo o dom da justiça de Deus, sou justificado pela fé. Eu sou feito justiça de Deus em Cristo, meu coração creu para justiça e minha boca confessa a salvação. Sou inculpável e livre de qualquer acusação. Mesmo diante do pecado, eu tenho Jesus como minha purificação eterna.

3 comentários em “Aprendendo com Jó: Não tenha uma justiça própria

    1. Se errei e pequei, que mal te causei, ó tu que vigias todos os seres humanos? Por qual razão me tornaste teu alvo? Porventura me transformei num fardo pesado e inútil para ti?21. Por que não perdoas as minhas ofensas e não apagas de vez os meus pecados? Porquanto em breve me deitarei no pó; tu me procurarás, contudo, eu já não mais existirei. Jó 7:20-21

      Curtir

    2. “Se errei e pequei, que mal te causei, ó tu que vigias todos os seres humanos? Por qual razão me tornaste teu alvo? Porventura me transformei num fardo pesado e inútil para ti?21. Por que não perdoas as minhas ofensas e não apagas de vez os meus pecados? Porquanto em breve me deitarei no pó; tu me procurarás, contudo, eu já não mais existirei.” Jó 7:20-21

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s